RESUMO
A presente monografia tem como objetivo investigar a organização dos Povos Indígenas no Ceará a partir da experiência dos índios Pitaguary na luta por reconhecimento social e por garantia de políticas públicas de geração de renda, educação e saúde. Questiona também como se tem construído uma visibilidade social em torno dos povos indígenas e como tem atuado o Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza – CDPDH. Reconhece-se hoje a identificação da cultura indígena não mais como pura, mas permeada de valores próprios dos antepassados e de valores modernos. Assim, tem-se a noção de “índios misturados”, que significa o afastamento da idéia de um índio puro da mata nos moldes dos índios isolados da Amazônia, que eram tidos como verdadeiros, e se aceita a idéia de que para ser legitimado como índio basta à auto-identificação, independente do tipo de sangue, cor da pele ou aparência física. São índios, assim, todos aqueles identificados com a cultura indígena, que se auto-afirmam índios e são reconhecidos pela tribo como parte integrante do povo respectivo. Identifica os índios Pitaguary, fazendo a descrição desse povo, enfocando as intervenções governamentais e não-governamentais através das políticas públicas de geração de renda, educação e saúde. Analisa as ações do CDPDH junto aos povos indígenas, identificando os impactos sociais, políticos e jurídicos dessa instituição na organização dos Pitaguary, e como os índios estão vendo a atuação do CDPDH. Enfim, compreende-se aqui que a realidade social indígena é permeada de conflitos positivos e negativos nas relações internas e externas estabelecidas pelos índios, mostrando a construção de um movimento entre dificuldades e divergências, mas também entre lutas e conquistas. |